segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

1º Forum Nacional: A Invisibilidade Negra no Sistema Financeiro

Infelizmente na miséria não existe "INVISIBILIDADE NEGRA", como mostram as fotos abaixo, ali bem perto dos turistas com suas câmeras Nikon, ao redor do Forte da Barra, um afrodescendente, se mostra bem "VISÍVEL" dormindo na "SARJETA DA SOCIEDADE", um outro aparece perambulando, semi-demente, pelas ruas, em busca de algum resto de comida para sobreviver mais um dia.
Salvador, como tantas outras capitais de nosso país, é uma cidade de "EXTREMOS", onde convivem, lado a lado, a extrema pobreza e a extrema riqueza.
É inadmissível que a riqueza esteja tão mal distribuída em nossa sociedade, este fórum buscou tirar compromissos do movimento sindical, no intuito de reduzir essa perversa desigualdade. 

O Fórum, de iniciativa da Contraf/CUT, através de sua Secretária de Políticas Sociais Deise Recoaro, teve uma excelente representatividade pois havia representantes de vários estados do Brasil, tais como Mato Grosso, Acre, Ceará, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia é claro e outros, que não tive a oportunidade de anotar. Representando o Rio Grande do Sul, tivemos representando a FETRAFI-RS a diretora Isis Marques da própria FETRAFI, representando o Sindbancários, tivemos o diretor da FETRAFI-RS Edison Moura. A diretora Isis e o diretor Edison, tiveram a oportunidade de exibir o vídeo produzido  pelo jornalista Henrique Loman do Depto. de Comunicação do Sindbancários, para a Semana de Consciência Negra, novamente por iniciativa da secretária Deise.

O debate foi muito rico e se iniciou com a análise de conjuntura política das relações raciais no Brasil, com Angela Nascimento(Diretora de Programas SPAA/SEPPIR e com o Professor Nilo Rosa(Pesquisador e Militante). Neste debate o representante do Sindbancários Edison Moura fez questionamento, sobre a necessidade de ações afirmativas dos órgãos governamentais, além daquelas que se dão no âmbito da educação(que são extremamente importantes), mas também no mercado de trabalho, principalmente nos bancos privados, pois os negros e negras tiveram seu acesso ao ensino superior aumentado através do sistema de cotas, porém, uma vez formados, dificilmente tem acesso ao mercado de trabalho do Sistema Financeiro e quando conseguem são discriminados através de mecanismos, que impedem sua ascenção profissional e consequentemente, impedidos de receberem melhor remuneração. O professor Nilo Rosa em resposta, afirmou que o governo já atua, de certa forma para corrigir este desvio, através dos concursos públicos mas que no que tange ao setor privado, a solução não é tão fácil, porém existem mecanismos que poderiam ser adotados, como por exemplo, estabelecer um sistema de dar preferência em "Concessões", para aquelas empresas que apresentassem programas de ações efetivas de inclusão e contra a discriminação no mercado de trabalho.

A seguir tivemos o painel O Estatuto da Igualdade Racial e atuação de parlamentares no combate à discriminação, com os painelistas:

-João Jorge - Presidente do Olodum
-Deputado Federal Luiz Alberto PT/BA


Dia 29 Terça-Feira, tivemos o debate A experiência da categoria bancária no combate à discriminação racial, com os painelistas:

-Carlos Cordeiro - Presidente da Contraf/CUT
-Anhamona Silva Brito - Secretária de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR
-Foi feito convite para que a FEBRABAN enviasse um representante, porém, infelizmente, este representante não compareceu.

À tarde o debate se reiniciou com o painel Negociação de Cláusulas de trabalho relativas à igualdade de gênero e raça 2007-2009, painel esse apresentado por Barbara Vallejos do DIEESE subseção Contraf/CUT e Laura Benevides (Pesquisas Sindicais do DIEESE)

A mesa final com o título Desafios e Carta Compromisso das entidades envolvidas, mesa esta composta por:

-Lilian Arruda do Observatório Social
-Julia Nogueira da CUT
-Valmira Luisa da CTB


Veja abaixo a Integra da Carta Compromisso:


CARTA COMPROMISSO

1º Fórum Nacional: A Invisibilidade Negra no Sistema Financeiro

A categoria bancária tem um compromisso de longa data no combate às discriminações de qualquer espécie por entender que esta prática não é benéfica para a classe trabalhadora independentemente do sexo, da cor da pele, da orientação sexual, de ter ou não uma deficiência e independentemente da idade. Está provado ao longo da história que as discriminações favorecem apenas aqueles que detêm o capital, aqueles que concentram as riquezas, aqueles que querem segregar os trabalhadores e trabalhadoras.

Considerando também o acúmulo e patamar que alcançamos com a temática de combate ao racismo na categoria, entendemos que este processo não tem mais volta, ou seja, que os bancos, denunciados pelo movimento sindical e pressionados pelos movimentos sociais, terão que abrir suas portas para uma parcela importante da população eles querendo ou não.

Acreditamos que para que a classe trabalhadora possa viver uma democracia plena é necessário que todos e todas possam exercer cidadania e que entre nós não haja trabalhadores de segunda ou terceira classe. Para que os sindicatos sejam verdadeiramente representativos dos anseios de classe, devemos intensificar as ações em curso neste país através das ações afirmativas. Orientamos e assumimos publicamente o compromisso com as seguintes ações e orientações:

Promover formação sindical sobre a questão racial;
Realizar atos e manifestações com material específico sobre a temática em datas comemorativas;
Criar coletivos temáticos nas entidades e assim fortalecer a Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS) através das representações;
Ampliar parcerias com os movimentos sociais;
Fazer a verificação da inserção da população negra nos locais de trabalho, tanto na admissão como na carreira, através de pesquisa ou outras formas de verificação;
Dar também visibilidade aos/as dirigentes afrodescentes nos materiais sindicais, a fim de criar uma identificação com os bancários na base;
Pautar na mesa temática de igualdade de oportunidades as ações afirmativas que visem ampliar a contratação de negros, negras e indígenas;
Propor audiências públicas junto aos parlamentares sobre a temática e as situações que perpassam a questão da discriminação;
Fazer uma articulação com a agenda das centrais;
Promover qualificação profissional nos termos das certificações focada na população negra;
Participar ativamente das ações governamentais através dos protocolos de intenções com a SEPPIR, SPM e MEC;
Garantir a transversalidade de gênero, raça, orientação sexual e pessoa com deficiência na elaboração da minuta e na mesa de negociação;
Desenvolver campanhas pela efetivação das Convenções 100 e 111 da OIT;
Manifestamos nossa posição contrária à fusão da SEPPIR, SPM e Secretaria Nacional da Juventude em um único Ministério porque isso retira o protagonismo e a visibilidade para as mulheres, os negros e os jovens;
Defendemos a regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial para dar sequência ao processo virtuoso de promoção de igualdade de oportunidades iniciado nos últimos anos.

Salvador (Bahia), 29 de novembro de 2011.


Com nossa participação neste evento o Sindbancários encerrou com chave de ouro, sua participação neste que foi designado o "Mês Internacional da Consciência Negra", cumprindo mais uma vez seu papel, enquanto ator social, nesta luta que deveria ser de toda a sociedade, contra o racismo, a discriminação e o preconceito, sejam eles da forma que se apresentarem.
Agradecimentos à toda a diretoria do Sindbancários-POA, em especial ao seu presidente Mauro Sales e os diretores Milena Cassia e Fabiano Barnardt, que foram os principais articuladores da participação de um representante deste Sindicato, neste evento de extrema importância em defesa da Igualdade não só na categoria bancária, mas em toda a sociedade.
"Na batalha pela construção de um NOVO MUNDO, que é sim POSSÍVEL"

Edison Moura- Diretor FETRAFI-RS



sábado, 3 de dezembro de 2011

Semana da Conciencia Negra no Sindbancários

Painel sobre Política do Racismo do Brasil abre Semana da Consciência Negra no Sindicato PDF Imprimir E-mail
Seg, 14 de Novembro de 2011 17:21


O SindBancários integra as atividades da Semana Estadual da Consciência Negra, que teve início nesta segunda, dia 14, e vai até o dia 21. Nesta quarta, dia 16, na Casa dos Bancários, tem palestra sobre A Economia Política do Racismo no Brasil. O painel será ministrado pelo professor Pedro Chadarevian, a partir das 18h, na Casa dos Bancários.

Além de homenagear os povos de origem africana, as atividades pretendem conscientizar, estimular o diálogo, promover a equidade racial e combater todas as formas de preconceito. São iniciativas que vão ao encontro das tantas bandeiras levantadas pelo SindBancários, entre elas, buscar a igualdade entre raças, gêneros e etnias.

Sobre o palestrante:

Chadaverian é professor no curso de Ciências Econômicas e no mestrado em Economia Aplicada da UFSCar. Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo, mestre em Economia pela Universidade de São Paulo e doutorado em Economia no IHEAL, Universidade de Paris 3 – Sorbonne Nouvelle, é pesquisador do Grupo de Pesquisa CNPq “Trabalho, Sindicalismo e Sociedade”.

Ainda como parte das atividades da Semana de Consciência Negra, o Cinebancários exibiria ainda, com entrada franca, o filme Cafundó, estralado por Lazaro Ramos e dirigido por  Paulo Betti, este belo filme conta a história de João de Camargo, negro liberto e fundador da Igreja de Nosso Senhor do Bom Fim da Água Vermelha e, de como João e seus seguidores foram perseguidos e reprimidos, pela sociedade racista, conservadora e católica do século IXX.

Finalmente no encerramento das atividades, tivemos um ato em parceria com o Grupo Afro-Tche, que é uma iniciativa do professor Claudinho "Batata", que visa impedir que as crianças da comunidade da Vila Farrapos (Zona Norte de Porto Alegre), sejam expostas aos riscos de se tornarem meninos e meninas de rua. O prof. Claudinho acolhe estas criança e lhes ensina a arte da música Afro, o resultado desta parceria, pode ser conferido no vídeo abaixo (produzido pelo depto. de Imprensa do Sindbancários, ao qual desde já faço os devidos agradecimentos, na pessoa do Henrique, pela qualidade do vídeo).
Agradecimentos também a toda a diretoria do Sindbancários, em especial as pessoas de seu Presidente Mauro Sales e dos diretores Milena Cassia e Fabiano Barnart, principais responsáveis pelo sucesso destas atividades todas. 

O Sindbancários, mais uma vez cumpre seu papel, como importante ator social,  na luta contra o racismo e a desigualdade, infelizmente, ainda tão arraigados na sociedade Brasileira.


Fonte: Imprensa/SindBancários
Última atualização em Seg, 14 de Novembro de 2011 17:54

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Semana da Conciencia Negra

O Sindbancários convida para mais um evento da programação da Semana da Consciência Negra de 2011, com a participação do palestrante Pedro Caldas Chadarevian, doutor pela IHEAL-Université de Paris 3, Sorbonne-Nouvelle. Sua tese de doutorado foi sobre a discriminação racial no Brasil e resultou no livro “Économie Politique du Racisme au Brésil: de L’abolition de L’esclavage à L’adoption des Politiques d’action Affirmative” (Econo...mia Política do Racismo no Brasil: da abolição da escravatura à adoção de políticas de ação afirmativa), ainda sem tradução para o português.

Segundo Chadarevian, o trabalhador negro é o último a ser contratado e o primeiro a ser demitido. O economista fez um resgate histórico sobre o problema da discriminação no Brasil e no mundo. Além disso, “existe uma estrutura hierarquizada que leva em conta atributos físicos para ascensão na carreira, fazendo com que determinados postos de comando sejam uma subrepresentação de grupos sociais dominantes”.

O estudo mostra que os brancos são maioria entre os ricos e os pobres são predominantemente não-brancos. “Quando a gente olha pra base, para o que há de mais degradante na sociedade, vemos não brancos. Assim como no topo da pirâmide, há a predominância de brancos”.

Os brancos ocupam 70% das vagas das universidades, possuem remuneração duas vezes superior e estão em ocupações de maior prestígio. Pobres realizam atividades manuais, informais, são moradores de rua, sem terra e as maiores vítimas de violência. Para o economista, “a divisão racial do trabalho é o que gera subempregos aos negros em atividades que não possibilitam o acesso social”.

Blog do palestrante: http://pedrochadarevian.wordpress.com/
Contamos com a participação de tod@s!!!Ver mais
Segue maiores informações via Facebook: http://www.facebook.com/#!/event.php?eid=288633101169578


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Guerra dos Farrapos Segunda Parte

A Guerra dos Farrapos II

A guerra estoura em 1835. O Império nomeia um novo presidente, José de Araújo Ribeiro. Ele forma uma força de ataque para rechaçar os revoltosos. Conseguem tomar Porto Alegre, mas ficam cercados pelos revoltosos. Um erro estratégico, entretanto, faz com que os imperiais controlem o acesso fluvial à cidade e ao único porto marítimo da província, em Rio Grande.

A proclamação da República Rio Grandense remove o caráter de revolta. O novo estado, também conhecido com República do Piratini, agora tem ministérios, constituição, tesouro nacional e um exército regular que agora combatia o invasor.
A guerra, entre 1836 e 1840, manteve-se equilibrada, porém tendendo em diversos momentos aos Farrapos. Mas os próprios líderes Farroupilhas começam a se desentender, a começar por Bento Gonçalves, que não quer perder poder com a possibilidade da República adotar um modelo parlamentarista através de assembleia constituinte.
O fim das revoltas liberais, em outras províncias, faz o Império deslocar efetivos militares que aos poucos sufocam a República. A elite local, preocupada em perder o seu “status quo” e mesmo o modelo econômico escravocrata, volta-se para uma solução negociada.

A nomeação do Barão de Caxias como presidente da República e comandante supremo imperial foi fundamental para romper a resistência dos farrapos que ao final de 1843 tinham um exército de apenas 3,5 mil homens.

Em 1845, foi negociada a Paz de Ponche Verde, em que foram mantidas todas as garantias da elite militar latifundiária. O tratado, que pacificou o Rio Grande e o reincorporou ao Brasil, quase não menciona a sobrevivência dos ideais republicanos e proteção dos negros libertos, aqueles que serviram aos farroupilhas, a pequenos agricultores e camponeses que tiveram suas vidas mutiladas ao longo dos 15 anos de batalha.
Uma das consequências da guerra foi a polarização da sociedade gaúcha em planos opostos, entre aqueles que apoiavam o regime imperial e a república. Os reflexos ainda estão presentes na política, no futebol e nas posições apaixonadas que o gaúcho defende.

Postado por Edison Moura 
Diretor FETRAFI-RS

Fonte Pericles Domingues Filho
Historiador  Assit. do Sindbancários de Porto Alegre

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Lanceiros na Guerra dos Farrapos

A Guerra dos Farrapos

Com o fim da Colônia, a Independência do Brasil e a constituição do Império, na primeira metade do século XIX, pouco mudou no cenário econômico e social do país.
Por muito tempo, a Guerra dos Farrapos foi considerada “revoltas regenciais” (compreende o reinado tampão dos regentes entre a abdicação de D. Pedro I e a maioridade de D. Pedro II). Porém, a verdade é que a Guerra dos Farrapos não é somente uma simples revolta (embora tenha iniciado como uma), mas uma guerra de independência de caráter liberal, influenciada pelos ideais humanistas e iluministas contidos na Revolução Francesa, na Independência dos EUA e no fim do domínio espanhol na região da Cisplatina.

O centralismo político e econômico que o Império Brasileiro constituiu, voltado à exportação (café, mineração e açúcar), colocava diversas regiões do país em desvantagem, por não fazerem parte desses ciclos produtivos.

O Rio Grande do Sul, que produzia o charque e o couro basicamente para o mercado interno, acabava prejudicado. Os produtos do Sul eram altamente tributados e enfrentavam concorrência desleal.

Líderes militares, latifundiários, caudilhos e intelectuais manifestavam insatisfação com a política imperial e pregavam maior autonomia política e econômica às províncias anos antes da Guerra. A maçonaria foi fundamental por difundir ideias iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade. A maioria desses líderes eram maçons, como Bento Gonçalves.

A nomeação de presidentes de província pela corte imperial mais o sentimento de não fazer “parte” do Brasil (já que a região que hoje compreende o Rio Grande do Sul sempre foi um território de disputa entre portugueses e espanhóis, nunca tendo sido de fato uma capitânia hereditária), foram os elementos necessários para conduzir a insurreição contra o Império.


Publicado por: Edison Moura
Fonte: Péricles Gomide Filho(Historiador e Asist. Técnico do Sindbancários)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Escravidão no Rio Grande do Sul

A escravidão no Rio Grande do Sul

O negro, um dos elementos formadores do povo do Rio Grande do Sul, foi traficado para cá desde o século XVIII, sendo utilizado como mão-de-obra para todo tipo de serviço.
Com o fim das Reduções Jesuíticas, após as Guerras Guaraníticas (1753 - 1756), o gado criado pelos índios catequizados e pelos padres jesuítas reproduziu-se de forma selvagem, dando o ímpeto necessário para que colonos portugueses (notadamente paulistas) instalassem instâncias para arrebanhar e invernar essa espécie.
Assim, surgiu uma classe pecuarista, que iniciou uma indústria de charqueadas que substituiu a carne de sol nordestina na alimentação dos escravos do centro do país e do nordeste.
Do século XVIII ao XIX, a indústria empregou inúmeros escravos. As condições de trabalho eram severas e, em geral, o negro das charqueadas tinha uma expectativa de vida abaixo do escravo de outros segmentos e atividades.
Os escravos gaúchos passaram por torturas e sofrimentos tão ou mais bárbaros do que os aplicados no resto do Brasil. A lenda do Negrinho do Pastoreio, que foi comido vivo por formigas, nada mais é que a representação de um meio de tortura.
Porto Alegre perdeu quase todos os vestígios que testemunham o sofrimento do povo negro. Há muito se perdeu a lembrança do Pelourinho (que ficava em frente à Igreja das Dores) e do mercado de escravos (localizava-se ao lado do Mercado Público, onde hoje é o terminal de ônibus). Porém a ponte de pedra, o Mercado, o antigo Palácio do Governo, o Solar dos Câmara e a própria Igreja das Dores são obras edificadas pelo trabalho de povos e nações oprimidas e transformadas em máquinas humanas.


Postado por oEdison Moura(Dir. FETRAFI-RS)

Fonte:  Pericles Gomide Filho(Acessor Técnico/ Diretoria de Formação do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Lanceiros Negros

Os Lanceiros Negros, bravura e lembrança farroupilha

“Quem foram os negros,
que o grito da terra,
qual chama divina
bradou pelo chão,
deixando o arado,
caído esquecido,
partiram levando
a lança na mão?”
(Altamira Bataglia Medina)
Março de 1845. O Tratado de Poncho Verde é assinado, e finalmente é selada a paz no Rio Grande sul. Após dez anos de intensas batalhas e atos extraordinários de bravura, a revolução Farroupilha chegara ao fim, deixando vestígios que até hoje permeiam a sociedade gaúcha, em seus estudos, comportamentos, ideologias. Entretanto, dentre os muitos fragmentos deixados, existe uma cicatriz que envolve o povo rio-grandense. A chamada Batalha de Porongos, que supostamente teria sido um massacre contra a tropa de lanceiros negros, marca uma série de referências daquilo que ainda é obscuro na revolução. Na trilha de um maior esclarecimento sobre esses fatos, caminha o projeto de pesquisa “Os lanceiros negros e a revolução farroupilha: falas e silêncios da historiografia”, desenvolvido pela acadêmica do curso de história Letícia Rosa Marques, sob orientação da professora doutora Maria Medianeira Padoin.
A Guerra dos Farrapos é ainda bastante glorificada nos dias de hoje. Em qualquer região do estado, quando alguém falar em bravura ou em luta por ideais, a batalha farroupilha será mencionada. O modo como parte das lideranças do Rio Grande do Sul não aceitou as imposições do governo central, e buscou de alguma forma impedi-las, transformou-se em traço histórico do gaúcho. Grandes nomes como os de Bento Gonçalves, Antônio de Sousa Neto e Giuseppe Garibaldi, são lembrados entre os heróis farrapos. Nomes que suscitam imperecíveis líderes naqueles dez anos de guerra. E na conclusão das batalhas, quando a paz é selada, outros heróis surgem. Supostos heróis. Pois, para ser assinada a paz entre o governo do país (império) e o gaúcho (republicano), foi necessária a morte dos negros que lutavam pela causa farroupilha e pela própria liberdade.
Letícia Rosa Marques é acadêmica do curso de história, na UFSM. Nascida em Caçapava do sul, foi criada em meio a uma cultura tradicionalista forte. Uma cidade de amplo folclore gauchesco cultivado por negros, tanto por acolher o primeiro CTG fundado por eles no estado. Anos depois, ao ter contato com o mundo acadêmico e seus estudos sobre a revolução farroupilha, percebeu uma ampla lacuna. Encontrava uma quantidade ínfima de personalidades negras nos arquivos farrapos. Um fato que lhe causou estranheza, já que vivenciou tanto dessa presença na sua infância. E nesse ponto se descobre uma das maiores tragédias da história farrapa.
Na negociação da paz na revolução, os farroupilhas incluiram uma cláusula que concedia a liberdade a todos os negros que lutaram na revolução.  O impasse estava criado e parecia um obstáculo intransponível na resolução da paz. A saída encontrada foi a mais cruel possível:  o coronel Teixeira Nunes e seu corpo de Lanceiros Negros descansavam no acampamento da curva do arroio Porongos. Foi então que apareceu o coronel monarquista Francisco Pedro de Abreu, o Moringue, de surpresa e quebrando o decreto de suspensão de armas. O exército de negros foi dizimado.  A assinatura do tratado de paz foi garantida.
Esse episódio é apenas o mais famoso dos tantos que marcaram a Revolução Farroupilha, ocultando a enorme presença afro-descendente nas conquistas da guerra. Na pesquisa de Letícia, aos poucos se desvenda o que segue perdido na linha histórica. Textos e personagens reais foram queimados e ocultados para que jamais se revelassem as atrocidades praticadas. Algumas poucas informações, retratos, relíquias de família preservadas com cuidado que comprovam os acontecimentos, reside na própria cidade de Letícia. Em sua maioria, são fragmentos notórios, documentos, antigos retratos, objetos conservados desde o fim das batalhas. Pequenas heranças da era farrapa que são valiosas não só para as famílias que as guardam como também para os historiadores, que aos poucos remontam o cenário da revolução. Fontes capazes de confirmar a presença negra entre as lideranças da revolução.
O projeto de pesquisa de Letícia, porém, não se deteve apenas a Caçapava do Sul, muito menos ao Rio Grande do Sul. A Guerra dos Farrapos se estendeu além das fronteiras do estado. Pelo Brasil, pela América do Sul e pelo mundo, ainda estão ocultas revelações que podem trazer verdades da revolução. Isso é possível, não apenas pelas batalhas terem avançado além do território gaúcho, mas também por compreenderem uma quantidade infindável de estrangeiros solidários pela causa gaudéria. Um exemplo desses é o cientista italiano Tito Livio Zambeccari. Tornou-se amigo e assessor daqueles que viriam a ser os líderes da Revolução Farroupilha, influenciando diversos manifestos assinados na época e durante a revolução.
Retrato de Tito Livio Zambeccari. Ao fundo, se encontra um Lanceiro Negro - Século XIX. Créditos: Bolletin Museo del Resorgimento di Bologna, Itália.
A Guerra dos Farrapos foi uma das maiores insurreições do país. O projeto acadêmico de Letícia Rosa Marques visa esclarecer os pontos obscuros da história da revolução e suas revelações devem complementar e enriquecer ainda mais a cultura gaúcha.

Repórteres:
Luiz Valério Peixoto Seles Filho – valério.seles@hotmail.com
Yuri Medeiros de Lima – yuri__lima@hotmail.com
Olívia Scarpari Bresssann - oliviascarpari@yahoo.com.br

Professor responsável:
Rondon de Castro – rondon@smail.ufsm.br
3º semestre
21/6/2010

Postado por Edison Moura(Dir.FETRAFI-RS)
Fonte Agencia Facos Foca



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quilombola esfaqueado em Minas

Segurança de fazendeiro esfaqueia Quilombola - Brejo dos Crioulos
Nota da CPT

 Ai de vós, que juntais casa a casa e que acrescentais campo a campo, até que não hajas mais lugar e sejais os únicos donos da terra.” (Isaías 5,8)

Na madrugada de hoje, 20 de agosto de 2011, por volta de uma hora da madrugada, no Território Brejo dos Crioulos, norte de Minas Gerais, local onde a comunidade luta pela conquista da sua Terra, o "segurança" Roberto Carlos Pereira do fazendeiro Raul Ardido Lerário, dono de um dos maiores latifúndios dentro do território, esfaqueou um Quilombola. Foram duas facadas em Edmilson de Lima Dutra (conhecido por Coquinho) que está em grave estado de saúde no hospital da cidade de Brasília de Minas. Roberto, foragido, há mais de 12 anos trabalha (sem registro) para o fazendeiro paulista Raul Ardido Lerário. Informações estas recebidas da Comunidade e do Cabo Ruan, da PM de São João da Ponte - BO número 1122 – REDS 2011-001486740-001. Roberto andava armado e já tinha feito ameaças de morte aos moradores, inclusive a Zé do Mário. A história dos empregados de Raul Ardido Lerário já é marcada pelo assassinato de Lídio Ferreira Rocha, há pouco mais de um ano, quilombola irmão de Francisco Cordeiro Barbosa – Ticão -, vice-presidente da Federação quilombola e liderança local. O assassino, João Borges, está com processo na justiça. 
A comunidade luta pela conquista dos seus direitos e pela titulação do território há mais de 10 anos. A morosidade do governo e a violência dos latifundiários, com suas milícias armadas, vêm aumentando a tensão em Brejo dos Crioulos. Outros Quilombolas já foram baleados pelos pistoleiros a mando dos fazendeiros. E os casos de violência e ameaça são freqüentes. Os fazendeiros mantêm um grupo de pistoleiros que vem aterrorizando a comunidade, o que caracteriza uma organização criminosa de milícias armadas. Com a situação alguns Quilombolas estão inseridos no programa de proteção aos ameaçados.
O processo de regularização está na Casa Civil para assinatura do decreto de desapropriação pela presidenta Dilma Rousseff. A não assinatura do decreto ou sua demora significa a continuidade desta violência com possibilidades de vidas serem ceifadas no futuro.

Até quando...??? Será necessário mais mortes e massacres?
      
Montes Claros, 20 de agosto de 2011

Comissão Pastoral da Terra
Minas Gerais

Contato para mais informações:
Com Paulo Faccion: cel.: 38 8825 0366
Tel.: (31) 3466-0202(31) 3481-5420

Postado por Edison Moura(FETRAFI-RS)
Fonte: Marcha Zumbi dos Palmares

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Lição da Noruega

Noruega ensina que racismo não pode ser visto como folclore

Marcelo Semer
De São Paulo
Se existe algo que o massacre na Noruega pode nos ensinar é que racismo, machismo e xenofobia não devem ser tratados como mero folclore.
Entre as palavras e as ações há um longo caminho, mas sempre pode existir alguém disposto a percorrê-lo.
Sarah Palin, candidata republicana a vice-presidente e musa do ultra-conservador Tea Party, dizia que a deputada democrata Gabrielle Giffords era um dos "alvos a serem abatidos" na política norte-americana.
Tratava-se de uma metáfora, mas um atirador em Arizona, a levou ao pé da letra. A tentativa de abater o alvo, uma das vozes contra a política hostil aos imigrantes, resultou em seis mortes em janeiro último, na cidade de Tucson.
Não há hoje quem não tema as possíveis consequências políticas de uma Europa economicamente em frangalhos -a lembrança da mistura depressão-fascismo do século XX ainda é suficientemente viva para suscitar este temor. Mas parece não ser o bastante para afastar a xenofobia, agora focada na repulsa ao Islã e a imigrantes que vem da África e Ásia.
A recente era da globalização só funcionou enquanto serviu como uma segunda colonização.
Os países periféricos foram instados a abrir seus mercados, homogeneizar suas normas, privatizar e internacionalizar suas empresas estratégicas, criando mercados alternativos ao já saturados no hemisfério norte.
Mas o mundo tornou-se global apenas em uma direção, pois as fronteiras voltaram a se fechar de forma ainda mais vigorosa, com a construção de grandes muros e o recrudescimento das leis de imigração - imigração esta que em outros tempos supriu com mão de obra barata, serviços que nacionais se recusavam a cumprir.
Pouco se pode fazer, é verdade, para impedir de todo ações repentinas de vingadores que se sentem representantes de uma nova cruzada, propondo salvar o mundo com toscas visões.
Mas estimular o discurso do ódio certamente não é uma delas.
O alarmismo com a fé diversa, o maltrato com o forasteiro e o diferente, o apego extremado a valores moralistas, são o caldo de cultura próprio para gerar ações excludentes, que tanto podem reverter em atentados quanto desembocar em políticas de Estado. Afinal, o que pode ser mais terrorista que o Holocausto?
Se a história se repete, como profetizava Marx, o receio é que nos abata mais uma vez como tragédia. Parafraseando Martin Luther King, parece ser o caso de nos preocuparmos tanto com o silêncio dos bons, quanto com o grito dos maus, este cada vez mais ensurdecedor.
O Brasil não vive o momento depressivo que se espalha pela Europa e Estados Unidos, fruto dos desvarios neoliberais, que maximizaram os mercados e o lucro e minimizaram as regulações.
Ao revés, vive anos de crescimento que resultaram em inesperada mobilidade social, mas isto também é motivo para cautela.
À incorporação de direitos civis a grupos minoritários, como homossexuais, instaurou-se uma brigada da moral, com forte apelo religioso. À incorporação ao mercado consumidor de uma classe emergente, recém-saída da linha de pobreza, levantou-se reação de quem se sente invadido em espaços até então exclusivos, entre faixas de automóveis e assentos de aviões. Ao pujante crescimento do Nordeste, esboça-se uma xenofobia de cunho separatista.
Aqui, como na Europa, devemos temer, sobretudo, aos que se propõe a nos higienizar ou recuperar valores tradicionais, que apenas remontam a mais exclusão.
O antídoto ao fascismo é o exercício da democracia e a preservação da dignidade humana como vetor de políticas sociais.
Só se abate o preconceito acreditando na igualdade.
 
Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo
--
Grupo de Debates Brasil-Política
Desde – 30 de março de 2005

Publicado Por Edison Moura
Fonte: Marcha Zumbi dos Palmares.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

RACISMO: FATOR PREJUDICIAL NO COMBATE A AIDS

Entrevista/Karen Bruck
Coordenadora do Programa Integrado de Ações Afirmativas para Negros (Brasil Afroatitude) do Ministério da Saúde
Racismo prejudica combate à aids entre população negra 
Mesmo com a estabilização no número de casos de aids no Brasil, nos últimos anos, a transmissão da doença atingiu com mais intensidade a população negra. Os dados ainda são insuficientes, mas revelam essa situação. Estatísticas do Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, mostram que entre 2001 e 2004 houve aumento de 25% de notificações de casos de aids entre mulheres negras. Esse fato pode ter associação com o preconceito racial. A distinção por raças dificulta o acesso à informação e afasta os negros das unidades de saúde. Para combater a discriminação racial e estimular ações de saúde em benefício da população negra, o Ministério da Saúde lança, no dia 16 de agosto, o Plano Estratégico de Ações Afirmativas Populações Negras e Aids. A iniciativa faz parte do Programa Integrado de Ações Afirmativas para Negros (Brasil AfroAtitude), do Ministério da Saúde. O plano será realizado em parceria com órgãos dos governos federal, estaduais e municipais e com entidades da sociedade civil como a Associação Cultural de Mulheres Negras (Asmun) e a Associação Nacional de Pesquisadores Negros (ANPN). A coordenadora do Brasil Afroatitude, Karen Bruck, fala desse Plano.
Notícias da Saúde – É possível estabelecer uma relação entre o racismo e a vulnerabilidade ao HIV?
Karen Bruck – Somente a partir de 2001 a variável “raça/cor” foi introduzida nos instrumentos de registro dos casos de aids e demais agravos de notificação obrigatória no país. Esses dados ainda são insipientes e não permitem análises consistentes. É importante salientar, no entanto, que não há nenhuma relação entre raça e risco biológico de infecção pelo HIV. Não existe comprovação de que a população negra apresente qualquer especificidade biológica que a torne mais suscetível à infecção pelo HIV. Por outro lado, as condições sócio-econômicas e o racismo, seguramente, são os principais fatores que devem ser considerados. Ao lançar o Programa, o Ministério da Saúde pretende investigar se há e como ocorrem as diferenças no acesso às informações, às práticas de prevenção e ao atendimento de saúde prestado, segundo o quesito raça e cor. Pretende-se, ainda, pesquisar os fatores que interferem na vulnerabilidade ao HIV nessa população, como as condições sociais, econômicas, culturais e o racismo.
Notícias da Saúde – Em que o Plano Estratégico Ações Afirmativas: População Negra e Aids contribuirá para ações efetivas contra a doença?
Karen Bruck – O plano estabelece 30 metas para melhorar a qualidade da assistência na aids para a população negra e promoverá políticas afirmativas nos setores envolvidos. As ações serão desenvolvidas de forma descentralizada, em estados e municípios, nos campos da pesquisa, assistência, prevenção e direitos humanos. Cada uma dessas metas tem prazo para implantação. Elas serão monitoradas por uma câmara técnica constituída por setores do governo e da sociedade civil. Espera-se que até o primeiro semestre de 2006 o plano tenha cumprido todos os seus objetivos. Ele prevê, entre outras metas, a revisão da literatura sobre as relações entre o HIV/aids e população negra, o combate ao racismo institucional, a inclusão do tema igualdade racial nas capacitações de aids e a revisão da qualidade na assistência. Também avaliará a necessidade de mudanças nas estratégias de comunicação e a revisão da literatura científica sobre aids e suas conexões com as doenças mais comuns à população negra, como a anemia falciforme. É importante destacar que esse programa se integra ao compromisso do Programa Nacional de DST/Aids em combater a discriminação em todas as suas formas: racial, étnica, de gênero ou por orientação sexual.

Notícias da Saúde – O programa também prevê bolsas para pesquisa de assuntos relacionados à vulnerabilidade das populações negras à aids e ao racismo, não é isso?
Karen Bruck – Para gerar informação sobre o tema e identificar dados que subsidiem ações do governo, executamos várias metas. Lançou-se uma chamada pública de pesquisa na linha temática População Negra e HIV/aids, que terá investigações sobre vulnerabilidade, condições de acesso ao diagnóstico e ao tratamento. A preocupação com o racismo como gerador de vulnerabilidade à aids é anterior à elaboração do plano. Nas comemorações do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, em 1º de dezembro de 2004, o Ministério da Saúde lançou o programa Brasil AfroAtitude, fruto de parceria com dez universidades públicas que adotam políticas de cota para ingresso de estudantes negros. Independente do curso de graduação, 50 bolsas de estudo estão sendo oferecidas durante um ano a alunos negros cotistas para trabalharem e pesquisarem temas relativos ao controle da epidemia de HIV/aids, ações afirmativas e o racismo. Com isso o Programa Nacional de DST/Aids trabalha em duas frentes: discutir o tema aids nessas universidades e garantir que alunos negros cotistas possam contar com uma bolsa durante um ano para discutir a questão. O Brasil AfroAtitude começou a funcionar efetivamente em março, com a participação de 500 alunos.

Publicado por: Edison Moura(Dir. FETRAFI-RS)
Fonte: José Antoio dos Santos da Silva(Coord. da Marcha Zumbi dos Palmares).

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Discriminação nos Transplantes

Homens brancos são maioria dos transplantados. Negros e mulheres têm menos acesso a cirurgias, segundo Ipea

Date: 2011-07-08

Estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que os efeitos das desigualdades sociais brasileiras se estendem às cirurgias de transplantes de órgãos como coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão. A maioria dos transplantados são homens da cor branca.

Agência Brasil - EBC

08/07/2011 - 14h37
Saúde
Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que os efeitos das desigualdades sociais brasileiras se estendem às cirurgias de transplantes de órgãos como coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão. A maioria dos transplantados são homens da cor branca.

De acordo com o estudo, de quatro receptores de coração, três são homens; e 56% dos transplantados tem a cor de pele branca. No transplante de fígado; 63% dos receptores são homens e 37% mulheres. De cada dez transplantes de fígado, oito são para pessoas brancas.

Segundo a análise do Ipea, homens e mulheres são igualmente atendidos nos transplantes de pâncreas; mas 93% dos atendidos são brancos. A maioria absoluta de receptores de pulmão também são homens (65%) e pessoas brancas (77%). O mesmo fenômeno ocorre com o transplante de rim: 61% dos receptores são homens; 69% das pessoas atendidas têm pele clara.

“Verificamos que o conjunto de desigualdades brasileiras acaba chegando no último estágio de medicina”, aponta o economista Alexandre Marinho, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, um dos autores da pesquisa. Ele e outras duas pesquisadoras analisaram dados de 1995 a 2004, fornecidos pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

O economista não estudou as causas do fenômeno, mas disse à Agência Brasil que a preparação para o transplante pode explicar as razões da desigualdade. Para fazer a cirurgia de transplante, o receptor deve estar apto: eventualmente mudar a alimentação, tomar medicamentos e fazer exames clínicos – procedimentos de atenção básica.

Segundo Marinho, quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) - cerca de três quatros da população brasileira - sai em desvantagem, porque tem dificuldade para receber remédios, fazer consultas e exames clínicos. “A situação onera quem tem menos condições de buscar alternativas.”

“O sistema é desigual na ponta [cirurgia de alta complexidade] porque é desigual na entrada”, assinala o economista, ao dizer que quando o SUS tem excelência no atendimento o acesso não é para todos: “Na hora que funciona, quem se apropria são as pessoas mais bem posicionadas socialmente”.

Conforme Marinho, os planos de saúde são resistentes a autorizar procedimentos de alta complexidade, como as cirurgias de transplantes, por causa dos custos. “Os hospitais privados preferem atender por meio do SUS porque sabe que paga”.

O estudo sobre a desigualdade de transplantes de órgãos está disponível no site do Ipea. Segundo Marinho, o documento foi postado ontem (7) e ainda não é do conhecimento do Ministério da Saúde.

De acordo com os dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), há 1.376 equipes médicas autorizadas a realizar transplantes em 25 estados brasileiros (548 hospitais).

Edição: João Carlos Rodrigues


Agência Brasil - EBC
 
Postado por Edison Moura
 
Fonte: Marcha Zumbi dos Palmares

terça-feira, 12 de julho de 2011

Biografia de Fela Kuti

Autor de biografia sobre Fela Kuti, Carlos Moore, autografa livro

Carlos Moore (direita) autografa livro em noite cultural

O restaurante Moeda, dentro do Santander Cultural, ficou lotado na noite da última quarta-feira, 29. No local, o pesquisador e professor cubano Carlos Moore autografou o livro "Fela: Esta Vida Puta" (Ed. Nandyala, 2011) em seu lançamento no Rio Grande do Sul.

A publicação é a tradução da biografia autorizada do músico e ativista político nigeriano Fela Anikulapo-Kuti. Traz relatos do próprio biografado, que faleceu em 1997, de suas esposas, pessoas que conviveram com ele e personalidades que o admiram.
O próprio Moore conheceu Fela. Em 74 o cubano foi a Nigéria, a convite do governo, preparar um festival de arte do povo negro. “Ainda nos primeiros 15 dias ouvi a música dele em uma feira e me apaixonei.
Carlos conta que o governo o convocou, então, afirmando que ele “não poderia se envolver com subversivos”. “Então eu escolhi”, prossegue, falando sobre pela amizade que ali se criou com o músico que desafiava os mandatários da África em suas composições e falas.
A concepção da biografia aconteceu com Fela ainda em vida. Contudo, ele se mostrava contrário a própria biografia, temendo que o relato se destinasse somente a europeus e americanos. Seu alvo era, na verdade, o povo africano.
Moore se mostrou impressionado com a repercussão do livro, “além de qualquer expectativa”, segundo ele. Passando por várias capitais do país, ele lembrou que toda a imprensa, de alguma forma, dedicou espaço editorial ao lançamento do trabalho.

Documentário sobre o músico também foi exibido
Antes da sessão de autógrafos, foi exibido na sala multiuso do Santander Cultural o documentário "Music Is The Weapon". Dirigido por Jean-Jacques Flori e Stephane Tchalgadjieff o filme também conta um pouco da história de Fela Kuti, através de entrevistas, imagens de suas apresentações ao vivo do contexto nigeriano de então – na década de 80, quando foi realizada a filmagem.

Fotojornalismo: Thiago Kittler/ Jornal Nação Z


Postado por Edison Moura
Fonte: Marcha Zumbi dos Palmares.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Racismo na Universidade Federal do Maranhão

Mais um estudante discriminado, desta vez na UFSM, os estudantes do curso de Engenharia Química, matriculados no curso de Cálculo Vetorial, estão denunciando as atitudes racistas do professor Cloves Saraiva, que agride sistematicamente um estudante africano de nome Nuhu Ayuba, solicito a todos que leiam o texto do abaixo assinado e encaminhem com urgência para todos os seus contatos no intuíto de conseguirmos o maior numero de assinaturas possíveis.
Também estou anexando nesta postagem o "link", para que todos possamos assinar o Abaixo-assinado.
CARTA ABAIXO ASSINADO.


Nós, estudantes do curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Maranhão/UFMA, matriculados na disciplina Cálculo Vetorial, informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba humilhando-o na frente de todos os alunos da turma. Na entrega da primeira nota o professor não anunciou a nota de nenhum outro aluno, apenas a de Nuhu, bradando em voz alta que “tirou uma péssima nota”; por mais de uma vez o professor interpelou nosso colega dizendo que deveria “voltar à África” e que deveria “clarear a sua cor”;em um outro trabalho de sala o professor não corrigiu se limitando a rasurar com a inscrição “está tudo errado” e ainda faz chacota com a pronúncia do nome do colega relacionando com o palavrão “no cu”; disse que o colega é péssimo aluno por que “somos de mundos diferentes” e que “aqui diferente da África somos civilizados” inclusive perguntando “com quantas onças já brigou na África?”. Nuhu não retruca nenhuma das agressões e está psicologicamente abalado, motivo pelo qual solicitamos que esta instituição tome as providências que a lei requer para o caso. 
Link para assinar o Abaixo-assinado:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=UFMA2011

Postado por
Edison Moura
Diretor FETRAFI-RS

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O NEGRO QUE DESAFIOU HITLER

James Cleveland "Jesse" Owens (Oakville, 12 de setembro de 1913 - Tucson, 31 de março de 1980) foi um atleta e líder civil afro-americano. Ele participou nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936 em Berlim, Alemanha, onde se tornou conhecido mundialmente por ganhar quatro medalhas de ouro nos 100 e 200 m rasos, no salto em distância e no revezamento 4x100 m.

 Owens x Hitler

 

A notória propaganda pan-alemanista não ficou de fora dos Jogos Olímpicos de Berlim, tanto que o incentivo aos atletas germânicos (não judeus) foi tão grande que estes conseguiram colocar a Alemanha no topo do ranking com 33 medalhas de ouro seguidos do segundo colocado, os EUA com 24 medalhas de ouro.
Uma imensa movimentação foi feita, em que os anfitriões cantavam o hino alemão "Deutschland, Deutschland über Alles" ("Alemanha acima de todos", em português), saudavam com um "Sieg Heil".
Antes de começar a saga de Owens, Cornelius Johnson, um outro atleta negro, ganhou a medalha de ouro no salto em altura. Hitler que até então tinha apenas apertado a mão de um atleta finlandês e outro alemão ambos vencedores de atletismo, retirou-se do estádio logo no primeiro dia, após ser alertado pelo Comitê Olímpico Internacional de que teria de cumprimentar todos os vencedores ou nenhum destes. A versão conhecida de que Hitler tenha abandonado o estádio quando Owens venceu foi trocada pela de quando Johnson o fez. Isso porque a falsa propaganda aliada preferia consagrar Owens, que ganhou não uma, mas quatro medalhas.
Daí em diante entrava em cena Jesse Owens, que venceu os 100 m e 200 m rasos, revezamento de 400 m e salto em distância. Quando Owens venceu a prova dos 200 m ele mirou seus olhos para o COI e não para a tribuna de Hitler, pois Hitler estava ausente no dia. Jesse Owens foi aclamado por milhares de torcedores de diversas nações naquele dia, juntamente com o alemão Lutz Long, que terminou a prova em segundo lugar. Os EUA conseguiram vencer dez provas de atletismo. Destas, seis medalhas de ouro foram conseguidas com a participação de quatro negros.
A maior conquista de Owens foi não se contrapor ao regime hitlerista, mas sim abalar a noção preconceituosa da nação americana no século XX, como ele mesmo deixou bem claro em sua biografia. Ele declarou que o que mais o magoou não foram as atitudes de Hitler, mas o fato do presidente americano Franklin Delano Roosevelt não ter lhe mandado sequer um telegrama felicitando-o por suas conquistas na olimpíada

Pescado de Wilkipedia

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Partido dos Panteras Negras

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
 
 
 
 
Partido Negro Revolucionário estadunidense, fundado em 1966 em Oakland -California, por Huey Newton e Bobby Seale, originalmente chamado Partido Pantera Negra para Auto-defesa (no original, "Black Panther Party for Self-Defense", depois, mais conhecido como "Black Panther Party" (Panteras Negras)).
A finalidade original do partido era patrulhar guetos negros para proteger os residentes dos atos de brutalidade da policia. Os Panteras tornaram-se eventualmente um grupo revolucionário marxista que defendia o armamento de todos os negros, a isenção dos negros no pagamento de impostos e de todas as sanções da chamada "América Branca, a libertação de todos os negros da cadeia, e o pagamento de compensação aos negros por séculos de exploração branca. Sua ala mais radical defendia a luta armada. Em seu pico, nos anos de 1960, o número de membros dos Panteras Negras excedeu 2 mil e a organização coordenou sedes nas principais cidades.
Os conflitos entre os Panteras Negras e a polícia nos anos  60 e nos anos  70 conduziram a vários tiroteios na Califórnia, em Nova York e em Chicago, um desses resultando na prisão de Huey Newton pelo assassinato  de um policial.
Na medida em que alguns membros do partido eram considerados culpados de atos criminais, o grupo foi sujeitado a uma grande hostilização da polícia  que algumas vezes se deu na forma de ataques violentos, despertando investigações no Congresso sobre as atividades da polícia com relação aos Panteras. Nos meados dos anos 70, tendo perdido muitos de seus membros e diminuído a simpatia de muitos líderes negros norte-americanos, levaram a uma mudança dos métodos do partido, que mudaram da violência para uma concentração na politica  convencional e em um fornecimento de serviços sociais nas comunidades negras. O partido estava efetivamente desfeito em meados dos anos 80.



Protesto nas Olimpíadas de 1968

 

Na Olimpíada da Cidade do México, Tommie Smith e John Carlos, dois atletas medalhistas dos EUA, fizeram a saudação "Black Power, braço estendido com o punho enluvado e fechado, durante a cerimônia de premiação da modalidade. O Comitê Olímpico Internacional (COI). baniu-os, imediatamente dos jogos.
O punho erguido ("Raised Fist") foi usado como símbolo de propaganda do Black Panther Party.

Pescado de Wilkipédia
Postado por:
Edison Moura
Diretor FETRAFI-RS

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Encontro Estadual de Blogueiros e Tuiteiros - RS

Neste fim de semana, realizou-se o 1º BlogProg-RS, na Câmara Municipal de Porto Alegre. Podemos afirmar que o evento BOMBOU, pois havia mais de 300 participantes, inclusive pessoas de fora do pais, como por exemplo do Uruguai, e o Movimento Negro esteve representado pelo José Antonio da Marcha Zumbi dos Palmares.O escritor deste Blog também esteve presente e gostaria de agradecer ao Pedro Loss, diretor do Sindbancários de Porto Alegre, pelo convite e ao mesmo tempo parabenizar o Pedro, que foi um dos organizadores do evento e no nome dele  parabenizar todos os organizadores deste importante acontecimento.






Todas as palestras  foram muito Interessantes, porém a que mais me chamou a atenção foi a do Renato Rovai-Blogueiro(Blog do Rovai,http://www.revistaforum.com.br/blog/) jornalista, editor da revista Forum, quando ele afirmou que a revolta no mundo Arabe, não seria possível se não fosse pela comunicação pela internet. É uma afirmação importante, ainda mais vinda de uma pessoa que estava no Egito, quando do início das manifestações contra Hosni Mubarak

Temos ainda, as recentes manifestações que se  realizam atualmente na Europa e receberam a ajuda de um poderoso "CANHÃO", no qual se transformou a comunicação, através das chamadas Redes Sociais. Ficou muito mais facil para os manifestantes marcarem os atos e se reunirem, rapidamente em determinados locais, dificultando ainda, a ação dos órgãos de repressão e também divulgando em tempo real as atitudes violentas das polícias e dos militares.

Portanto, é preciso que tenhamos a exata noção, desta fabulosa ferramenta, que esta colocada ao alcançe das pontas de nossos dedos, para que façamos as nossas denúncias contra a famigerada discriminação que, eu repito ainda é muito forte em nosso pais e também no mundo.

Também esteve presente, o chefe de gabinete do governador Tarso Genro, que por sinal é Afro-descendente e falou sobre a criação Gabinete Digital, que será mais um parceiro na luta pela Inclusão Digital, que é tão necessária para que multipliquemos o numero de Blogueiros e Tuiteiros, engajados na democratização "VERDADEIRA" da comunicação em nosso pais.



Ano que vem estaremos lá novamente.

Edison Moura
Dir. FETRAFI-RS

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Consciência Negra II


Consciência Negra




O povo negro vem sendo oprimido há séculos e, a CUT não poderia deixar de dar sua contribuição, no sentido de apoiar a luta do movimento negro para derrubar o MURO da desigualdade, que foi construído ao longo de todos estes anos e que ainda permanece no século 21. Para isso a Central única dos Trabalhadores, lançou  a CARTILHA DE IGUALDADE RACIAL, que procura esclarecer a sociedade sobre, como evitar que desde a infância seja cultivado o preconceito que pode se apresentar disfarçado na forma de HUMOR(piadinhas), ou mesmo em uma prática que infelizmente esta muito difundia entre os estudantes, desde as fases mais precoces, do ensino fundamental, estamos falando da FAMIGERADA prática conhecida como “BULLING”...
A cartilha também contém muitos dados técnicos, sobre as oportunidades oferecidas ao povo negro, no mercado de trabalho, oportunidades estas que são inversamente proporcionais ao tamanho da população no que tange à ETNIA.

DENUNCIA:
Recentemente, no mês de Março, fomos surpreendidos com a notícia de um jovem estudante baiano, que até onde sabemos, foi obrigado a abandonar a Universidade do Pampa(Unipampa), em Jaguarão, interior do RGS, para retornar ao seu estado natal e, como ele mesmo contou, chorando, aos repórteres:
“-O filho da lavadeira, vai voltar (COM UMA MÃO NA FRENTE E OUTRA ATRÁS) e não vai ter a chance de ser o primeiro de sua geração, em sua família, a levar pra sua mãe, um diploma de faculdade”.
Saibam companheir@s , que o sonho deste menino, esta sendo destruído, por conta da COR de sua pele ou talvez por seu penteado RASTAFARI ou ainda, pelo fato de ser homosexual assumido, acontece que algumas pessoas da cidade(Policiais Militares), alguns COVARDES e RACISTAS, sim covardes, pois mandaram correspondências anonimas, fazendo insultos e ameaças ao rapaz, de que este deveria voltar pra casa, sob pena de ser espancado ou coisa pior. Portanto não vamos aceitar a velha história, de que “NO BRASIL NÃO EXISTE RACISMO”, o Rio Grande do Sul é um dos estados mais racistas do Brasil, procuramos por matérias nos jornais locais (RBS e companhia...) e para nossa “SURPRESA” nada foi publicado, somente a TV Record, publicou reportagem sobre o caso. Os vídeos podem ser conferidos no link abaixo:

http://www.dignow.org/post/estado-acolhe-estudante-discriminado-no-sul-do-pais



Para finalizar, gostaria de parabenizar o Coletivo de Igualdade Racial da CUT-RS, do qual tive  a honra de ter participado, por esta importante iniciativa, no intuito de desmantelar a estrutura do RACISMO, que ainda está, sim, muito arraigada na sociedade gaucha.

Edison Moura
Diretor FETRAFI-RS

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Conceito de Racismo

O racismo é um preconceito contra um “grupo racial”, geralmente diferente daquele a que pertence o sujeito, e, como tal, é uma atitude subjectiva gerada por uma sequência de mecanismos sociais.
Um grupo social dominante, seja em aspectos econômicos ou numéricos, sente a necessidade de se distanciar de outro grupo que, por razões históricas, possui tradições ou comportamentos diferentes. A partir daí, esse grupo dominante constrói um mito sobre o outro grupo, que pode ser relacionado à crença de superioridade ou de iniquidade.
Nesse contexto, a falta de análise crítica, a aceitação cega do mito gerado dentro do próprio grupo e a necessidade de continuar ligado ao seu próprio grupo levam à propagação do mito ao longo das gerações. O mito torna-se, a partir de então, parte do “status quo”, fator responsável pela difusão de valores morais como o "certo" e o "errado", o "aceito" e o "não-aceito", o "bom" e o "ruim", entre outros. Esses valores são aceitos sem uma análise onto-axiológica do seu fundamento, propagando-se por influência da coerção social e se sustentando pelo pensamento conformista de que "sempre foi assim".
Finalmente, o mecanismo subliminar da aceitação permite mascarar o prejuízo em que se baseia a discriminação, fornecendo bases axiológicas para a sustentação de um algo maior, de posturas mais radicais, como as atitudes violentas e mesmo criminosas contra membros do outro grupo.
Convém ressaltar que o racismo nem sempre ocorre de forma explícita. Além disso, existem casos em que a prática do racismo é sustentada pelo aval dos objetos de preconceito na medida em que também se satiriza racialmente e/ou consente a prática racista, de uma forma geral. Muitas vezes o racismo é consequência de uma educação familiar racista e discriminatória.

Pescado de Wilkipedia

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Besouro Cordão de Ouro





A palavra capoeirista assombrava homens e mulheres, mas o velho escravo tio Alípio nutria grande admiração pelo filho de João Grosso e Maria Haifa. Era o menino Manoel Henrique que, desde cedo, aprendeu, com o mestre Alípio, os segredos da capoeira na rua do Trapiche de Baixo, em Santo Amaro da Purificação, sendo batizado como Besouro Mangangá por causa da sua facilidade em desaparecer quando a hora era para tal.
Muitos e grandiosos feitos lhe são atribuídos. Diziam que não gostava da polícia (que diversas vezes frustrou-se ao tentar prendê-lo), que tinha o "corpo fechado" e que balas e punhais não podiam feri-lo. Certa época, quando Besouro trabalhou numa usina, por não receber o ordenado, segurou o patrão pelo cavanhaque e o obrigou a pagar o que lhe devia.
As circunstâncias de sua morte são contraditórias. Há versões que afirmam que Besouro morreu em um confronto com a polícia; outras, que foi traído, com um ataque de faca pelas costas. Esta última é muito cantada e transmitida oralmente na capoeira. Um fazendeiro, conhecido por dr. Zeca, após seu filho Memeu ter apanhado de Besouro, armou uma cilada, mandando-o entregar um bilhete a um amigo que administrava a fazenda Maracangalha. Tal bilhete pedia para que seu portador fosse morto. Besouro, analfabeto, não pôde ler que aquele bilhete era endereçado ao seu assassino e que esclarecia que o portador era a vítima, ou seja, ele próprio. Assim, no dia seguinte, ao voltar para saber a resposta, quarenta soldados o estavam esperando. Um homem conhecido por Eusébio de Quibaca acertou-lhe nas costas com uma faca de tucum (ou ticum), um tipo de madeira, tida como a única arma capaz de matar um homem de corpo fechado.

 Cadê o Besouro

Canção muito conhecida na capoeira:
Besouro Mangangá era homem de corpo fechado
Bala não matava e navalha não lhe feria
Sentado ao pé da cruz enquanto a polícia o seguia
Desapareceu enquanto o tenente dizia

Cadê o Besouro
Cadê o Besouro
Cadê o Besouro
Chamado Cordão de Ouro

Besouro era um homem que admirava a valentia
Não aceitava a covardia maldade não admitia
Com a traição quebrou-se a feitiçaria
Mas a reza forte só Besouro quem sabia

Atrás de Besouro,
o tenente mandou a cavalaria
No estado da Bahia
E Besouro não sabia

Já de corpo aberto,
Fez sua feitiçaria
Cada golpe de Besouro
Era um homem que caía
Hoje, Besouro é conhecido como Cordão de Ouro, o exu das sete encruzilhadas. Está presente nos terreiros de Umbanda, onde incorpora em médiuns. Besouro, quando chega no terreiro, senta-se no chão em posição de lótus. Besouro, quando vem trabalhar, não gosta muito de conversar e gira nos seus protegidos calado.[carece de fontes?]

 Filme

Uma adaptação cinematográfica da história de Besouro, dirigida por João Daniel Tikhomiroff, estreou no Brasil no dia 30 de outubro de 2009. Besouro foi interpretado por Ailton Carmo. O trailer foi o de maior sucesso do cinema brasileiro no ano.

Pescado de Wilkipedia