segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Fórum Permanente de Educação e Diversidade Etnicorracial do RS

Companheiros e Companheiras comprometidos com a implantação da Lei 10.639/03 do Estado do RS.
Em dezembro de 2011, realizamos nossa Plenária Estadual e aprovamos nosso Plano de Trabalho para 2012.
Entre nossas ações esta a de ampliar nossa relação com as bases do interior do Estado, nos 497 municípios, buscando criar as condições de levar as informações e socializar os acontecimentos.
Para isto precisamos consolidar uma rede de parceiros da efetivação da Lei 10.639 e para isto contamos com todos vocês em socializar nosso Fórum Permanente de Educação e Diversidade Etnicorracial do RS, com a divulgação de nossos contatos e de nosso Calendário de Reuniões.
Anexo estamos encaminhando uma Ficha de Cadastro para os interessados em receber informações das atividades do Fórum e demais acontecimentos da área da educação de interesse deste Grupo.
Contamos também com sua contribuição em socializar em sua rede de contatos esta informação e ajudar para que este cadastro chegue ao maior numero de interessados.
Atenciosamente,
José Antonio dos Santos da Silva(Fonte)
Coordenador do Fórum Permanente de Educação
e Diversidade Etnicorracial do RS.
Fone: 51.91792404

Secretaria Executiva:
Secretaria Estadual de Educação - SEDUC
End: Av. Borges de Medeiros, nº 1501
Bairro Praia de Belas - Porto Alegre/RS
CEP: 90.110-150
e-mail: forumdiversidaders@gmail.com
Fone: 51.32884813
José Antonio dos Santos da Silva
51.91792404 - Claro
51.51.84908721 - Oí

Publicado por:


 Edison Moura
Dir. FETRAFI-RS

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

1º Forum Nacional: A Invisibilidade Negra no Sistema Financeiro

Infelizmente na miséria não existe "INVISIBILIDADE NEGRA", como mostram as fotos abaixo, ali bem perto dos turistas com suas câmeras Nikon, ao redor do Forte da Barra, um afrodescendente, se mostra bem "VISÍVEL" dormindo na "SARJETA DA SOCIEDADE", um outro aparece perambulando, semi-demente, pelas ruas, em busca de algum resto de comida para sobreviver mais um dia.
Salvador, como tantas outras capitais de nosso país, é uma cidade de "EXTREMOS", onde convivem, lado a lado, a extrema pobreza e a extrema riqueza.
É inadmissível que a riqueza esteja tão mal distribuída em nossa sociedade, este fórum buscou tirar compromissos do movimento sindical, no intuito de reduzir essa perversa desigualdade. 

O Fórum, de iniciativa da Contraf/CUT, através de sua Secretária de Políticas Sociais Deise Recoaro, teve uma excelente representatividade pois havia representantes de vários estados do Brasil, tais como Mato Grosso, Acre, Ceará, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia é claro e outros, que não tive a oportunidade de anotar. Representando o Rio Grande do Sul, tivemos representando a FETRAFI-RS a diretora Isis Marques da própria FETRAFI, representando o Sindbancários, tivemos o diretor da FETRAFI-RS Edison Moura. A diretora Isis e o diretor Edison, tiveram a oportunidade de exibir o vídeo produzido  pelo jornalista Henrique Loman do Depto. de Comunicação do Sindbancários, para a Semana de Consciência Negra, novamente por iniciativa da secretária Deise.

O debate foi muito rico e se iniciou com a análise de conjuntura política das relações raciais no Brasil, com Angela Nascimento(Diretora de Programas SPAA/SEPPIR e com o Professor Nilo Rosa(Pesquisador e Militante). Neste debate o representante do Sindbancários Edison Moura fez questionamento, sobre a necessidade de ações afirmativas dos órgãos governamentais, além daquelas que se dão no âmbito da educação(que são extremamente importantes), mas também no mercado de trabalho, principalmente nos bancos privados, pois os negros e negras tiveram seu acesso ao ensino superior aumentado através do sistema de cotas, porém, uma vez formados, dificilmente tem acesso ao mercado de trabalho do Sistema Financeiro e quando conseguem são discriminados através de mecanismos, que impedem sua ascenção profissional e consequentemente, impedidos de receberem melhor remuneração. O professor Nilo Rosa em resposta, afirmou que o governo já atua, de certa forma para corrigir este desvio, através dos concursos públicos mas que no que tange ao setor privado, a solução não é tão fácil, porém existem mecanismos que poderiam ser adotados, como por exemplo, estabelecer um sistema de dar preferência em "Concessões", para aquelas empresas que apresentassem programas de ações efetivas de inclusão e contra a discriminação no mercado de trabalho.

A seguir tivemos o painel O Estatuto da Igualdade Racial e atuação de parlamentares no combate à discriminação, com os painelistas:

-João Jorge - Presidente do Olodum
-Deputado Federal Luiz Alberto PT/BA


Dia 29 Terça-Feira, tivemos o debate A experiência da categoria bancária no combate à discriminação racial, com os painelistas:

-Carlos Cordeiro - Presidente da Contraf/CUT
-Anhamona Silva Brito - Secretária de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR
-Foi feito convite para que a FEBRABAN enviasse um representante, porém, infelizmente, este representante não compareceu.

À tarde o debate se reiniciou com o painel Negociação de Cláusulas de trabalho relativas à igualdade de gênero e raça 2007-2009, painel esse apresentado por Barbara Vallejos do DIEESE subseção Contraf/CUT e Laura Benevides (Pesquisas Sindicais do DIEESE)

A mesa final com o título Desafios e Carta Compromisso das entidades envolvidas, mesa esta composta por:

-Lilian Arruda do Observatório Social
-Julia Nogueira da CUT
-Valmira Luisa da CTB


Veja abaixo a Integra da Carta Compromisso:


CARTA COMPROMISSO

1º Fórum Nacional: A Invisibilidade Negra no Sistema Financeiro

A categoria bancária tem um compromisso de longa data no combate às discriminações de qualquer espécie por entender que esta prática não é benéfica para a classe trabalhadora independentemente do sexo, da cor da pele, da orientação sexual, de ter ou não uma deficiência e independentemente da idade. Está provado ao longo da história que as discriminações favorecem apenas aqueles que detêm o capital, aqueles que concentram as riquezas, aqueles que querem segregar os trabalhadores e trabalhadoras.

Considerando também o acúmulo e patamar que alcançamos com a temática de combate ao racismo na categoria, entendemos que este processo não tem mais volta, ou seja, que os bancos, denunciados pelo movimento sindical e pressionados pelos movimentos sociais, terão que abrir suas portas para uma parcela importante da população eles querendo ou não.

Acreditamos que para que a classe trabalhadora possa viver uma democracia plena é necessário que todos e todas possam exercer cidadania e que entre nós não haja trabalhadores de segunda ou terceira classe. Para que os sindicatos sejam verdadeiramente representativos dos anseios de classe, devemos intensificar as ações em curso neste país através das ações afirmativas. Orientamos e assumimos publicamente o compromisso com as seguintes ações e orientações:

Promover formação sindical sobre a questão racial;
Realizar atos e manifestações com material específico sobre a temática em datas comemorativas;
Criar coletivos temáticos nas entidades e assim fortalecer a Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS) através das representações;
Ampliar parcerias com os movimentos sociais;
Fazer a verificação da inserção da população negra nos locais de trabalho, tanto na admissão como na carreira, através de pesquisa ou outras formas de verificação;
Dar também visibilidade aos/as dirigentes afrodescentes nos materiais sindicais, a fim de criar uma identificação com os bancários na base;
Pautar na mesa temática de igualdade de oportunidades as ações afirmativas que visem ampliar a contratação de negros, negras e indígenas;
Propor audiências públicas junto aos parlamentares sobre a temática e as situações que perpassam a questão da discriminação;
Fazer uma articulação com a agenda das centrais;
Promover qualificação profissional nos termos das certificações focada na população negra;
Participar ativamente das ações governamentais através dos protocolos de intenções com a SEPPIR, SPM e MEC;
Garantir a transversalidade de gênero, raça, orientação sexual e pessoa com deficiência na elaboração da minuta e na mesa de negociação;
Desenvolver campanhas pela efetivação das Convenções 100 e 111 da OIT;
Manifestamos nossa posição contrária à fusão da SEPPIR, SPM e Secretaria Nacional da Juventude em um único Ministério porque isso retira o protagonismo e a visibilidade para as mulheres, os negros e os jovens;
Defendemos a regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial para dar sequência ao processo virtuoso de promoção de igualdade de oportunidades iniciado nos últimos anos.

Salvador (Bahia), 29 de novembro de 2011.


Com nossa participação neste evento o Sindbancários encerrou com chave de ouro, sua participação neste que foi designado o "Mês Internacional da Consciência Negra", cumprindo mais uma vez seu papel, enquanto ator social, nesta luta que deveria ser de toda a sociedade, contra o racismo, a discriminação e o preconceito, sejam eles da forma que se apresentarem.
Agradecimentos à toda a diretoria do Sindbancários-POA, em especial ao seu presidente Mauro Sales e os diretores Milena Cassia e Fabiano Barnardt, que foram os principais articuladores da participação de um representante deste Sindicato, neste evento de extrema importância em defesa da Igualdade não só na categoria bancária, mas em toda a sociedade.
"Na batalha pela construção de um NOVO MUNDO, que é sim POSSÍVEL"

Edison Moura- Diretor FETRAFI-RS



sábado, 3 de dezembro de 2011

Semana da Conciencia Negra no Sindbancários

Painel sobre Política do Racismo do Brasil abre Semana da Consciência Negra no Sindicato PDF Imprimir E-mail
Seg, 14 de Novembro de 2011 17:21


O SindBancários integra as atividades da Semana Estadual da Consciência Negra, que teve início nesta segunda, dia 14, e vai até o dia 21. Nesta quarta, dia 16, na Casa dos Bancários, tem palestra sobre A Economia Política do Racismo no Brasil. O painel será ministrado pelo professor Pedro Chadarevian, a partir das 18h, na Casa dos Bancários.

Além de homenagear os povos de origem africana, as atividades pretendem conscientizar, estimular o diálogo, promover a equidade racial e combater todas as formas de preconceito. São iniciativas que vão ao encontro das tantas bandeiras levantadas pelo SindBancários, entre elas, buscar a igualdade entre raças, gêneros e etnias.

Sobre o palestrante:

Chadaverian é professor no curso de Ciências Econômicas e no mestrado em Economia Aplicada da UFSCar. Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo, mestre em Economia pela Universidade de São Paulo e doutorado em Economia no IHEAL, Universidade de Paris 3 – Sorbonne Nouvelle, é pesquisador do Grupo de Pesquisa CNPq “Trabalho, Sindicalismo e Sociedade”.

Ainda como parte das atividades da Semana de Consciência Negra, o Cinebancários exibiria ainda, com entrada franca, o filme Cafundó, estralado por Lazaro Ramos e dirigido por  Paulo Betti, este belo filme conta a história de João de Camargo, negro liberto e fundador da Igreja de Nosso Senhor do Bom Fim da Água Vermelha e, de como João e seus seguidores foram perseguidos e reprimidos, pela sociedade racista, conservadora e católica do século IXX.

Finalmente no encerramento das atividades, tivemos um ato em parceria com o Grupo Afro-Tche, que é uma iniciativa do professor Claudinho "Batata", que visa impedir que as crianças da comunidade da Vila Farrapos (Zona Norte de Porto Alegre), sejam expostas aos riscos de se tornarem meninos e meninas de rua. O prof. Claudinho acolhe estas criança e lhes ensina a arte da música Afro, o resultado desta parceria, pode ser conferido no vídeo abaixo (produzido pelo depto. de Imprensa do Sindbancários, ao qual desde já faço os devidos agradecimentos, na pessoa do Henrique, pela qualidade do vídeo).
Agradecimentos também a toda a diretoria do Sindbancários, em especial as pessoas de seu Presidente Mauro Sales e dos diretores Milena Cassia e Fabiano Barnart, principais responsáveis pelo sucesso destas atividades todas. 

O Sindbancários, mais uma vez cumpre seu papel, como importante ator social,  na luta contra o racismo e a desigualdade, infelizmente, ainda tão arraigados na sociedade Brasileira.


Fonte: Imprensa/SindBancários
Última atualização em Seg, 14 de Novembro de 2011 17:54

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Semana da Conciencia Negra

O Sindbancários convida para mais um evento da programação da Semana da Consciência Negra de 2011, com a participação do palestrante Pedro Caldas Chadarevian, doutor pela IHEAL-Université de Paris 3, Sorbonne-Nouvelle. Sua tese de doutorado foi sobre a discriminação racial no Brasil e resultou no livro “Économie Politique du Racisme au Brésil: de L’abolition de L’esclavage à L’adoption des Politiques d’action Affirmative” (Econo...mia Política do Racismo no Brasil: da abolição da escravatura à adoção de políticas de ação afirmativa), ainda sem tradução para o português.

Segundo Chadarevian, o trabalhador negro é o último a ser contratado e o primeiro a ser demitido. O economista fez um resgate histórico sobre o problema da discriminação no Brasil e no mundo. Além disso, “existe uma estrutura hierarquizada que leva em conta atributos físicos para ascensão na carreira, fazendo com que determinados postos de comando sejam uma subrepresentação de grupos sociais dominantes”.

O estudo mostra que os brancos são maioria entre os ricos e os pobres são predominantemente não-brancos. “Quando a gente olha pra base, para o que há de mais degradante na sociedade, vemos não brancos. Assim como no topo da pirâmide, há a predominância de brancos”.

Os brancos ocupam 70% das vagas das universidades, possuem remuneração duas vezes superior e estão em ocupações de maior prestígio. Pobres realizam atividades manuais, informais, são moradores de rua, sem terra e as maiores vítimas de violência. Para o economista, “a divisão racial do trabalho é o que gera subempregos aos negros em atividades que não possibilitam o acesso social”.

Blog do palestrante: http://pedrochadarevian.wordpress.com/
Contamos com a participação de tod@s!!!Ver mais
Segue maiores informações via Facebook: http://www.facebook.com/#!/event.php?eid=288633101169578


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Guerra dos Farrapos Segunda Parte

A Guerra dos Farrapos II

A guerra estoura em 1835. O Império nomeia um novo presidente, José de Araújo Ribeiro. Ele forma uma força de ataque para rechaçar os revoltosos. Conseguem tomar Porto Alegre, mas ficam cercados pelos revoltosos. Um erro estratégico, entretanto, faz com que os imperiais controlem o acesso fluvial à cidade e ao único porto marítimo da província, em Rio Grande.

A proclamação da República Rio Grandense remove o caráter de revolta. O novo estado, também conhecido com República do Piratini, agora tem ministérios, constituição, tesouro nacional e um exército regular que agora combatia o invasor.
A guerra, entre 1836 e 1840, manteve-se equilibrada, porém tendendo em diversos momentos aos Farrapos. Mas os próprios líderes Farroupilhas começam a se desentender, a começar por Bento Gonçalves, que não quer perder poder com a possibilidade da República adotar um modelo parlamentarista através de assembleia constituinte.
O fim das revoltas liberais, em outras províncias, faz o Império deslocar efetivos militares que aos poucos sufocam a República. A elite local, preocupada em perder o seu “status quo” e mesmo o modelo econômico escravocrata, volta-se para uma solução negociada.

A nomeação do Barão de Caxias como presidente da República e comandante supremo imperial foi fundamental para romper a resistência dos farrapos que ao final de 1843 tinham um exército de apenas 3,5 mil homens.

Em 1845, foi negociada a Paz de Ponche Verde, em que foram mantidas todas as garantias da elite militar latifundiária. O tratado, que pacificou o Rio Grande e o reincorporou ao Brasil, quase não menciona a sobrevivência dos ideais republicanos e proteção dos negros libertos, aqueles que serviram aos farroupilhas, a pequenos agricultores e camponeses que tiveram suas vidas mutiladas ao longo dos 15 anos de batalha.
Uma das consequências da guerra foi a polarização da sociedade gaúcha em planos opostos, entre aqueles que apoiavam o regime imperial e a república. Os reflexos ainda estão presentes na política, no futebol e nas posições apaixonadas que o gaúcho defende.

Postado por Edison Moura 
Diretor FETRAFI-RS

Fonte Pericles Domingues Filho
Historiador  Assit. do Sindbancários de Porto Alegre

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Lanceiros na Guerra dos Farrapos

A Guerra dos Farrapos

Com o fim da Colônia, a Independência do Brasil e a constituição do Império, na primeira metade do século XIX, pouco mudou no cenário econômico e social do país.
Por muito tempo, a Guerra dos Farrapos foi considerada “revoltas regenciais” (compreende o reinado tampão dos regentes entre a abdicação de D. Pedro I e a maioridade de D. Pedro II). Porém, a verdade é que a Guerra dos Farrapos não é somente uma simples revolta (embora tenha iniciado como uma), mas uma guerra de independência de caráter liberal, influenciada pelos ideais humanistas e iluministas contidos na Revolução Francesa, na Independência dos EUA e no fim do domínio espanhol na região da Cisplatina.

O centralismo político e econômico que o Império Brasileiro constituiu, voltado à exportação (café, mineração e açúcar), colocava diversas regiões do país em desvantagem, por não fazerem parte desses ciclos produtivos.

O Rio Grande do Sul, que produzia o charque e o couro basicamente para o mercado interno, acabava prejudicado. Os produtos do Sul eram altamente tributados e enfrentavam concorrência desleal.

Líderes militares, latifundiários, caudilhos e intelectuais manifestavam insatisfação com a política imperial e pregavam maior autonomia política e econômica às províncias anos antes da Guerra. A maçonaria foi fundamental por difundir ideias iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade. A maioria desses líderes eram maçons, como Bento Gonçalves.

A nomeação de presidentes de província pela corte imperial mais o sentimento de não fazer “parte” do Brasil (já que a região que hoje compreende o Rio Grande do Sul sempre foi um território de disputa entre portugueses e espanhóis, nunca tendo sido de fato uma capitânia hereditária), foram os elementos necessários para conduzir a insurreição contra o Império.


Publicado por: Edison Moura
Fonte: Péricles Gomide Filho(Historiador e Asist. Técnico do Sindbancários)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Escravidão no Rio Grande do Sul

A escravidão no Rio Grande do Sul

O negro, um dos elementos formadores do povo do Rio Grande do Sul, foi traficado para cá desde o século XVIII, sendo utilizado como mão-de-obra para todo tipo de serviço.
Com o fim das Reduções Jesuíticas, após as Guerras Guaraníticas (1753 - 1756), o gado criado pelos índios catequizados e pelos padres jesuítas reproduziu-se de forma selvagem, dando o ímpeto necessário para que colonos portugueses (notadamente paulistas) instalassem instâncias para arrebanhar e invernar essa espécie.
Assim, surgiu uma classe pecuarista, que iniciou uma indústria de charqueadas que substituiu a carne de sol nordestina na alimentação dos escravos do centro do país e do nordeste.
Do século XVIII ao XIX, a indústria empregou inúmeros escravos. As condições de trabalho eram severas e, em geral, o negro das charqueadas tinha uma expectativa de vida abaixo do escravo de outros segmentos e atividades.
Os escravos gaúchos passaram por torturas e sofrimentos tão ou mais bárbaros do que os aplicados no resto do Brasil. A lenda do Negrinho do Pastoreio, que foi comido vivo por formigas, nada mais é que a representação de um meio de tortura.
Porto Alegre perdeu quase todos os vestígios que testemunham o sofrimento do povo negro. Há muito se perdeu a lembrança do Pelourinho (que ficava em frente à Igreja das Dores) e do mercado de escravos (localizava-se ao lado do Mercado Público, onde hoje é o terminal de ônibus). Porém a ponte de pedra, o Mercado, o antigo Palácio do Governo, o Solar dos Câmara e a própria Igreja das Dores são obras edificadas pelo trabalho de povos e nações oprimidas e transformadas em máquinas humanas.


Postado por oEdison Moura(Dir. FETRAFI-RS)

Fonte:  Pericles Gomide Filho(Acessor Técnico/ Diretoria de Formação do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região.