Salvador, como tantas outras capitais de nosso país, é uma cidade de "EXTREMOS", onde convivem, lado a lado, a extrema pobreza e a extrema riqueza.
É inadmissível que a riqueza esteja tão mal distribuída em nossa sociedade, este fórum buscou tirar compromissos do movimento sindical, no intuito de reduzir essa perversa desigualdade. O Fórum, de iniciativa da Contraf/CUT, através de sua Secretária de Políticas Sociais Deise Recoaro, teve uma excelente representatividade pois havia representantes de vários estados do Brasil, tais como Mato Grosso, Acre, Ceará, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia é claro e outros, que não tive a oportunidade de anotar. Representando o Rio Grande do Sul, tivemos representando a FETRAFI-RS a diretora Isis Marques da própria FETRAFI, representando o Sindbancários, tivemos o diretor da FETRAFI-RS Edison Moura. A diretora Isis e o diretor Edison, tiveram a oportunidade de exibir o vídeo produzido pelo jornalista Henrique Loman do Depto. de Comunicação do Sindbancários, para a Semana de Consciência Negra, novamente por iniciativa da secretária Deise.
O debate foi muito rico e se iniciou com a análise de conjuntura política das relações raciais no Brasil, com Angela Nascimento(Diretora de Programas SPAA/SEPPIR e com o Professor Nilo Rosa(Pesquisador e Militante). Neste debate o representante do Sindbancários Edison Moura fez questionamento, sobre a necessidade de ações afirmativas dos órgãos governamentais, além daquelas que se dão no âmbito da educação(que são extremamente importantes), mas também no mercado de trabalho, principalmente nos bancos privados, pois os negros e negras tiveram seu acesso ao ensino superior aumentado através do sistema de cotas, porém, uma vez formados, dificilmente tem acesso ao mercado de trabalho do Sistema Financeiro e quando conseguem são discriminados através de mecanismos, que impedem sua ascenção profissional e consequentemente, impedidos de receberem melhor remuneração. O professor Nilo Rosa em resposta, afirmou que o governo já atua, de certa forma para corrigir este desvio, através dos concursos públicos mas que no que tange ao setor privado, a solução não é tão fácil, porém existem mecanismos que poderiam ser adotados, como por exemplo, estabelecer um sistema de dar preferência em "Concessões", para aquelas empresas que apresentassem programas de ações efetivas de inclusão e contra a discriminação no mercado de trabalho.
A seguir tivemos o painel O Estatuto da Igualdade Racial e atuação de parlamentares no combate à discriminação, com os painelistas:
-João Jorge - Presidente do Olodum
-Deputado Federal Luiz Alberto PT/BA
Dia 29 Terça-Feira, tivemos o debate A experiência da categoria bancária no combate à discriminação racial, com os painelistas:
-Carlos Cordeiro - Presidente da Contraf/CUT
-Anhamona Silva Brito - Secretária de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR
-Foi feito convite para que a FEBRABAN enviasse um representante, porém, infelizmente, este representante não compareceu.
À tarde o debate se reiniciou com o painel Negociação de Cláusulas de trabalho relativas à igualdade de gênero e raça 2007-2009, painel esse apresentado por Barbara Vallejos do DIEESE subseção Contraf/CUT e Laura Benevides (Pesquisas Sindicais do DIEESE)
A mesa final com o título Desafios e Carta Compromisso das entidades envolvidas, mesa esta composta por:
-Lilian Arruda do Observatório Social
-Julia Nogueira da CUT
-Valmira Luisa da CTB
Veja abaixo a Integra da Carta Compromisso:
CARTA COMPROMISSO
1º Fórum Nacional: A Invisibilidade Negra no Sistema Financeiro
A categoria bancária tem um compromisso de longa data no combate às discriminações de qualquer espécie por entender que esta prática não é benéfica para a classe trabalhadora independentemente do sexo, da cor da pele, da orientação sexual, de ter ou não uma deficiência e independentemente da idade. Está provado ao longo da história que as discriminações favorecem apenas aqueles que detêm o capital, aqueles que concentram as riquezas, aqueles que querem segregar os trabalhadores e trabalhadoras.
Considerando também o acúmulo e patamar que alcançamos com a temática de combate ao racismo na categoria, entendemos que este processo não tem mais volta, ou seja, que os bancos, denunciados pelo movimento sindical e pressionados pelos movimentos sociais, terão que abrir suas portas para uma parcela importante da população eles querendo ou não.
Acreditamos que para que a classe trabalhadora possa viver uma democracia plena é necessário que todos e todas possam exercer cidadania e que entre nós não haja trabalhadores de segunda ou terceira classe. Para que os sindicatos sejam verdadeiramente representativos dos anseios de classe, devemos intensificar as ações em curso neste país através das ações afirmativas. Orientamos e assumimos publicamente o compromisso com as seguintes ações e orientações:
Promover formação sindical sobre a questão racial;
Realizar atos e manifestações com material específico sobre a temática em datas comemorativas;
Criar coletivos temáticos nas entidades e assim fortalecer a Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS) através das representações;
Ampliar parcerias com os movimentos sociais;
Fazer a verificação da inserção da população negra nos locais de trabalho, tanto na admissão como na carreira, através de pesquisa ou outras formas de verificação;
Dar também visibilidade aos/as dirigentes afrodescentes nos materiais sindicais, a fim de criar uma identificação com os bancários na base;
Pautar na mesa temática de igualdade de oportunidades as ações afirmativas que visem ampliar a contratação de negros, negras e indígenas;
Propor audiências públicas junto aos parlamentares sobre a temática e as situações que perpassam a questão da discriminação;
Fazer uma articulação com a agenda das centrais;
Promover qualificação profissional nos termos das certificações focada na população negra;
Participar ativamente das ações governamentais através dos protocolos de intenções com a SEPPIR, SPM e MEC;
Garantir a transversalidade de gênero, raça, orientação sexual e pessoa com deficiência na elaboração da minuta e na mesa de negociação;
Desenvolver campanhas pela efetivação das Convenções 100 e 111 da OIT;
Manifestamos nossa posição contrária à fusão da SEPPIR, SPM e Secretaria Nacional da Juventude em um único Ministério porque isso retira o protagonismo e a visibilidade para as mulheres, os negros e os jovens;
Defendemos a regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial para dar sequência ao processo virtuoso de promoção de igualdade de oportunidades iniciado nos últimos anos.
Salvador (Bahia), 29 de novembro de 2011.
1º Fórum Nacional: A Invisibilidade Negra no Sistema Financeiro
A categoria bancária tem um compromisso de longa data no combate às discriminações de qualquer espécie por entender que esta prática não é benéfica para a classe trabalhadora independentemente do sexo, da cor da pele, da orientação sexual, de ter ou não uma deficiência e independentemente da idade. Está provado ao longo da história que as discriminações favorecem apenas aqueles que detêm o capital, aqueles que concentram as riquezas, aqueles que querem segregar os trabalhadores e trabalhadoras.
Considerando também o acúmulo e patamar que alcançamos com a temática de combate ao racismo na categoria, entendemos que este processo não tem mais volta, ou seja, que os bancos, denunciados pelo movimento sindical e pressionados pelos movimentos sociais, terão que abrir suas portas para uma parcela importante da população eles querendo ou não.
Acreditamos que para que a classe trabalhadora possa viver uma democracia plena é necessário que todos e todas possam exercer cidadania e que entre nós não haja trabalhadores de segunda ou terceira classe. Para que os sindicatos sejam verdadeiramente representativos dos anseios de classe, devemos intensificar as ações em curso neste país através das ações afirmativas. Orientamos e assumimos publicamente o compromisso com as seguintes ações e orientações:
Promover formação sindical sobre a questão racial;
Realizar atos e manifestações com material específico sobre a temática em datas comemorativas;
Criar coletivos temáticos nas entidades e assim fortalecer a Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual (CGROS) através das representações;
Ampliar parcerias com os movimentos sociais;
Fazer a verificação da inserção da população negra nos locais de trabalho, tanto na admissão como na carreira, através de pesquisa ou outras formas de verificação;
Dar também visibilidade aos/as dirigentes afrodescentes nos materiais sindicais, a fim de criar uma identificação com os bancários na base;
Pautar na mesa temática de igualdade de oportunidades as ações afirmativas que visem ampliar a contratação de negros, negras e indígenas;
Propor audiências públicas junto aos parlamentares sobre a temática e as situações que perpassam a questão da discriminação;
Fazer uma articulação com a agenda das centrais;
Promover qualificação profissional nos termos das certificações focada na população negra;
Participar ativamente das ações governamentais através dos protocolos de intenções com a SEPPIR, SPM e MEC;
Garantir a transversalidade de gênero, raça, orientação sexual e pessoa com deficiência na elaboração da minuta e na mesa de negociação;
Desenvolver campanhas pela efetivação das Convenções 100 e 111 da OIT;
Manifestamos nossa posição contrária à fusão da SEPPIR, SPM e Secretaria Nacional da Juventude em um único Ministério porque isso retira o protagonismo e a visibilidade para as mulheres, os negros e os jovens;
Defendemos a regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial para dar sequência ao processo virtuoso de promoção de igualdade de oportunidades iniciado nos últimos anos.
Salvador (Bahia), 29 de novembro de 2011.
Com nossa participação neste evento o Sindbancários encerrou com chave de ouro, sua participação neste que foi designado o "Mês Internacional da Consciência Negra", cumprindo mais uma vez seu papel, enquanto ator social, nesta luta que deveria ser de toda a sociedade, contra o racismo, a discriminação e o preconceito, sejam eles da forma que se apresentarem.
Agradecimentos à toda a diretoria do Sindbancários-POA, em especial ao seu presidente Mauro Sales e os diretores Milena Cassia e Fabiano Barnardt, que foram os principais articuladores da participação de um representante deste Sindicato, neste evento de extrema importância em defesa da Igualdade não só na categoria bancária, mas em toda a sociedade.
"Na batalha pela construção de um NOVO MUNDO, que é sim POSSÍVEL"
Edison Moura- Diretor FETRAFI-RS











