A Guerra dos Farrapos II
A guerra estoura em 1835. O Império nomeia um novo presidente, José de Araújo Ribeiro. Ele forma uma força de ataque para rechaçar os revoltosos. Conseguem tomar Porto Alegre, mas ficam cercados pelos revoltosos. Um erro estratégico, entretanto, faz com que os imperiais controlem o acesso fluvial à cidade e ao único porto marítimo da província, em Rio Grande.
A proclamação da República Rio Grandense remove o caráter de revolta. O novo estado, também conhecido com República do Piratini, agora tem ministérios, constituição, tesouro nacional e um exército regular que agora combatia o invasor.
A guerra, entre 1836 e 1840, manteve-se equilibrada, porém tendendo em diversos momentos aos Farrapos. Mas os próprios líderes Farroupilhas começam a se desentender, a começar por Bento Gonçalves, que não quer perder poder com a possibilidade da República adotar um modelo parlamentarista através de assembleia constituinte.
O fim das revoltas liberais, em outras províncias, faz o Império deslocar efetivos militares que aos poucos sufocam a República. A elite local, preocupada em perder o seu “status quo” e mesmo o modelo econômico escravocrata, volta-se para uma solução negociada.
A nomeação do Barão de Caxias como presidente da República e comandante supremo imperial foi fundamental para romper a resistência dos farrapos que ao final de 1843 tinham um exército de apenas 3,5 mil homens.
Em 1845, foi negociada a Paz de Ponche Verde, em que foram mantidas todas as garantias da elite militar latifundiária. O tratado, que pacificou o Rio Grande e o reincorporou ao Brasil, quase não menciona a sobrevivência dos ideais republicanos e proteção dos negros libertos, aqueles que serviram aos farroupilhas, a pequenos agricultores e camponeses que tiveram suas vidas mutiladas ao longo dos 15 anos de batalha.
Uma das consequências da guerra foi a polarização da sociedade gaúcha em planos opostos, entre aqueles que apoiavam o regime imperial e a república. Os reflexos ainda estão presentes na política, no futebol e nas posições apaixonadas que o gaúcho defende.
Postado por Edison Moura
Diretor FETRAFI-RS
Fonte Pericles Domingues Filho
Historiador Assit. do Sindbancários de Porto Alegre