quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Guerra dos Farrapos Segunda Parte

A Guerra dos Farrapos II

A guerra estoura em 1835. O Império nomeia um novo presidente, José de Araújo Ribeiro. Ele forma uma força de ataque para rechaçar os revoltosos. Conseguem tomar Porto Alegre, mas ficam cercados pelos revoltosos. Um erro estratégico, entretanto, faz com que os imperiais controlem o acesso fluvial à cidade e ao único porto marítimo da província, em Rio Grande.

A proclamação da República Rio Grandense remove o caráter de revolta. O novo estado, também conhecido com República do Piratini, agora tem ministérios, constituição, tesouro nacional e um exército regular que agora combatia o invasor.
A guerra, entre 1836 e 1840, manteve-se equilibrada, porém tendendo em diversos momentos aos Farrapos. Mas os próprios líderes Farroupilhas começam a se desentender, a começar por Bento Gonçalves, que não quer perder poder com a possibilidade da República adotar um modelo parlamentarista através de assembleia constituinte.
O fim das revoltas liberais, em outras províncias, faz o Império deslocar efetivos militares que aos poucos sufocam a República. A elite local, preocupada em perder o seu “status quo” e mesmo o modelo econômico escravocrata, volta-se para uma solução negociada.

A nomeação do Barão de Caxias como presidente da República e comandante supremo imperial foi fundamental para romper a resistência dos farrapos que ao final de 1843 tinham um exército de apenas 3,5 mil homens.

Em 1845, foi negociada a Paz de Ponche Verde, em que foram mantidas todas as garantias da elite militar latifundiária. O tratado, que pacificou o Rio Grande e o reincorporou ao Brasil, quase não menciona a sobrevivência dos ideais republicanos e proteção dos negros libertos, aqueles que serviram aos farroupilhas, a pequenos agricultores e camponeses que tiveram suas vidas mutiladas ao longo dos 15 anos de batalha.
Uma das consequências da guerra foi a polarização da sociedade gaúcha em planos opostos, entre aqueles que apoiavam o regime imperial e a república. Os reflexos ainda estão presentes na política, no futebol e nas posições apaixonadas que o gaúcho defende.

Postado por Edison Moura 
Diretor FETRAFI-RS

Fonte Pericles Domingues Filho
Historiador  Assit. do Sindbancários de Porto Alegre

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Lanceiros na Guerra dos Farrapos

A Guerra dos Farrapos

Com o fim da Colônia, a Independência do Brasil e a constituição do Império, na primeira metade do século XIX, pouco mudou no cenário econômico e social do país.
Por muito tempo, a Guerra dos Farrapos foi considerada “revoltas regenciais” (compreende o reinado tampão dos regentes entre a abdicação de D. Pedro I e a maioridade de D. Pedro II). Porém, a verdade é que a Guerra dos Farrapos não é somente uma simples revolta (embora tenha iniciado como uma), mas uma guerra de independência de caráter liberal, influenciada pelos ideais humanistas e iluministas contidos na Revolução Francesa, na Independência dos EUA e no fim do domínio espanhol na região da Cisplatina.

O centralismo político e econômico que o Império Brasileiro constituiu, voltado à exportação (café, mineração e açúcar), colocava diversas regiões do país em desvantagem, por não fazerem parte desses ciclos produtivos.

O Rio Grande do Sul, que produzia o charque e o couro basicamente para o mercado interno, acabava prejudicado. Os produtos do Sul eram altamente tributados e enfrentavam concorrência desleal.

Líderes militares, latifundiários, caudilhos e intelectuais manifestavam insatisfação com a política imperial e pregavam maior autonomia política e econômica às províncias anos antes da Guerra. A maçonaria foi fundamental por difundir ideias iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade. A maioria desses líderes eram maçons, como Bento Gonçalves.

A nomeação de presidentes de província pela corte imperial mais o sentimento de não fazer “parte” do Brasil (já que a região que hoje compreende o Rio Grande do Sul sempre foi um território de disputa entre portugueses e espanhóis, nunca tendo sido de fato uma capitânia hereditária), foram os elementos necessários para conduzir a insurreição contra o Império.


Publicado por: Edison Moura
Fonte: Péricles Gomide Filho(Historiador e Asist. Técnico do Sindbancários)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Escravidão no Rio Grande do Sul

A escravidão no Rio Grande do Sul

O negro, um dos elementos formadores do povo do Rio Grande do Sul, foi traficado para cá desde o século XVIII, sendo utilizado como mão-de-obra para todo tipo de serviço.
Com o fim das Reduções Jesuíticas, após as Guerras Guaraníticas (1753 - 1756), o gado criado pelos índios catequizados e pelos padres jesuítas reproduziu-se de forma selvagem, dando o ímpeto necessário para que colonos portugueses (notadamente paulistas) instalassem instâncias para arrebanhar e invernar essa espécie.
Assim, surgiu uma classe pecuarista, que iniciou uma indústria de charqueadas que substituiu a carne de sol nordestina na alimentação dos escravos do centro do país e do nordeste.
Do século XVIII ao XIX, a indústria empregou inúmeros escravos. As condições de trabalho eram severas e, em geral, o negro das charqueadas tinha uma expectativa de vida abaixo do escravo de outros segmentos e atividades.
Os escravos gaúchos passaram por torturas e sofrimentos tão ou mais bárbaros do que os aplicados no resto do Brasil. A lenda do Negrinho do Pastoreio, que foi comido vivo por formigas, nada mais é que a representação de um meio de tortura.
Porto Alegre perdeu quase todos os vestígios que testemunham o sofrimento do povo negro. Há muito se perdeu a lembrança do Pelourinho (que ficava em frente à Igreja das Dores) e do mercado de escravos (localizava-se ao lado do Mercado Público, onde hoje é o terminal de ônibus). Porém a ponte de pedra, o Mercado, o antigo Palácio do Governo, o Solar dos Câmara e a própria Igreja das Dores são obras edificadas pelo trabalho de povos e nações oprimidas e transformadas em máquinas humanas.


Postado por oEdison Moura(Dir. FETRAFI-RS)

Fonte:  Pericles Gomide Filho(Acessor Técnico/ Diretoria de Formação do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região.